Rodrigo Castilhos

Problemas existem para serem solucionados.

A razão disso tudo aqui: Maria

O sol começa a raiar lá fora.  São 8:30 da manhã, a Maria me acorda abrindo as janelas do quarto. Após ligar o som e executar uma de minhas músicas favoritas, ela avisa que não há nuvens no céu e a temperatura está amena. Ao chegar no banheiro, as toalhas já estavam aquecidas e a água morna. Maria também preparou meu café e reuniu algumas manchetes de jornais do meu interesse.

Ao sair para o trabalho, pelo portão já aberto, recebo uma mensagem de texto no celular. Maria me avisa da reunião que aguarda no escritório. Após o almoço, o telefone toca  e Maria alerta que minha mãe está na porta de casa. Pelo celular converso um pouco com minha mãe, que ouve o que digo através do interfone. Peço para Maria abrir a porta.

Chegando em casa encontro ar-condicionado ligado e a banheira cheia, recém aquecida, me esperando para um banho. Maria também lembrou de gravar o episódio de Eureka, meu seriado favorito, de fazer o download do novo álbum que eu tanto aguardava e integrar tudo à minha biblioteca multimídia disponível via Internet.

Embora minha noiva se chame Maria, não é dela que estou falando. Maria é a minha casa.

Essa é a Sarah, amiga da Maria

Essa é a Sarah, amiga da Maria

Conheça a Maria e Sarah

M.A.R.I.A. pode ser um acrônimo para Minha Automação Residencial Inteligente Assistida ou qualquer outra sigla que sua criatividade permita associar. É um nome genérico que acabei de inventar em analogia a S.A.R.A.H., ou Self Actuated Residential Automated Habitat.

Assim como Maria, Sarah é um sistema inteligente de automação residencial que acabou se tornando um importante elemento da série de TV Eureka, produzida pela Universal em 2006.

S.A.R.A.H.

Personagem de ficção e nunca concretizado no mundo real, Sarah, é um sistema de automação hospedado em uma plataforma computacional comum. Ao longo da trama, sua participação no seriado americano cresce em importância, mostrando o grande interesse que o tema desperta nas pessoas. Projetado como um sistema de automação residencial baseado em Inteligência Artificial, Sarah permite que a casa constantemente aprenda e se adapte às necessidades de seus moradores. Na medida em que o Xerife Carter, o novo morador da residência automatizada, estabelece sua rotina doméstica diária, a casa passa a antecipar os passos do protagonista do seriado no intuito de tornar sua vida mais confortável e seu cotidiano mais eficiente.

Assim como a Maria, Sarah é capaz de prestar inúmeros serviços para seus moradores e convidados tais como controle de acesso, climatização, manutenção do estoque de alimentos e bebidas, vigilância, entretenimento e muito mais. A Sarah foi capaz até mesmo de criar seu próprio perfil no Twitter! Desenvolvida para nos mostrar o estado-da-arte em automação residencial no futuro próximo, Sarah não é mais um mero exercício de ficção científica.

A automação residencial é um mercado crescente cujos benefícios para sociedade estão cada vez mais acessíveis a todos nós. Hoje, já é possível projetarmos uma residência inteligente com custo moderado seja durante a elaboração de seu projeto arquitetônico, seja na adaptação de um ambiente já construído.

Um ambiente inteligente não é simplesmente aquele com funcionalidades que podemos gerenciar remotamente, mas também capaz de se antecipar às nossas necessidades e tomar decisões automáticas que tornem nosso dia-a-dia mais fácil. Mariá também é o nome de outro projeto de pesquisa do qual fiz parte. O objetivo era desenvolver um sistema de animação facial de um agente conversacional capaz de expressar emoções humanas. A tecnologia responsável por fazer a Mariá sorrir, chorar ou se irritar é fundamentalmente a mesma necessária para dotar nossas residências de autonomia para tomada de decisões.

A Mariá pode se tornar a futura governanta do meu apartamento

A Mariá pode se tornar a futura governanta do meu apartamento

Esse espaço será utilizado para compartilhar meus insights em automação residencial, tecnologias envolvidas, novidades no mercado e todo o conhecimento necessário para que você também possa construir sua J.O.A.N.A.T.H.A.Í.S., N.A.T.Á.L.I.A….

Assim como podemos seguir a Sarah no Twitter, espero que em breve também possamos seguir a Maria ou a residência inteligente de cada um de vocês.

7 Comentários

  1. S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L

    Essa semana meu celular quebrou, então não tocou o despertador e eu acordei atrasado. Se a Maria estivesse em casa teria visto que o celular quebrou e ia dar um geito de me acordar no horário que eu deveria acordar. Ela poderia ver na minha agenda meu primeiro compromisso e me acordar com antecedência, considerando o tempo que levo no banho, pra tomar o café, o trânsito e o clima.

    A próprio Maria poderia estar comigo no carro também, como uma excelente co-piloto, lendo meus emails, as últimas notícias e me avisando sobre os melhores caminhos para tomar.

    O meu celular é ela quem organiza também, dando alerta só das mensagens mais importantes, e dependendo da onde eu estou também (em reunião, na rua, de férias, happy hour, etc). E também pelo celular ela poderia me avisar quando aquela gata que eu to afim de pegar está no mesmo bar.

    Enfim, coisas como ela fechar toda a casa e desligar os aparelhos quando eu saio, ou ligar quando eu chego, ou lembrar meus compromissos, sugerir dicas de lugar pra ir, lembrar dos amigos aniversariantes, chamar a polícia quando meu carro ou casa for roubado…

    Tudo isso já era pensado há muuuuito tempo. Tudo isso é possível. Tudo isso é viável economicamente. Só falta alguém tirar a bunda da cadeira e botar pra fazer.

    Abraço e parabéns pelo artigo.
    Matheus Zeuch

  2. Como o Matheus falou, isso tudo é viável.

    Pirei aqui pensando em soluções que use o GPS para calcular quanto tempo vc vai levar para chegar em casa, dependendo da velocidade sua, e já ir preparando tudo, banheira, jantar.

    Muito bom artigo.

Trackbacks

  1. Laura, Mariá e suas amigas - A inteligência artificial chegou. | Rodrigo Castilhos
  2. Bem vindo ao futuro | Quicaze
  3. Interfaces: Os cases Apple e Google | Rodrigo Castilhos
  4. A tecnologia que liberta é a mesma que aprisiona | Papo de Homem – Lifestyle Magazine

Deixe um Comentário